Conversão

Como medir conversão por canal (e descobrir de onde vêm seus clientes)

Defina a conversão, entenda atribuição (primeiro e último toque), crie meta e funil no Analisa e leia o resultado por canal sem cair nas armadilhas de amostra pequena.

Rafael Coelho

Por · Dev fullstack e criador do Analisa

Publicado em 9 min de leitura

"O Instagram trouxe 3 mil visitas este mês." Ótimo. Quantas viraram cliente? Se a resposta é "não sei", você está medindo audiência, não aquisição. E é bem comum descobrir que o canal com mais visitas não é o que mais traz cliente.

Neste artigo eu explico como definir uma conversão que faça sentido, o básico de atribuição (sem jargão desnecessário), exatamente como o Analisa liga uma conversão a um canal, o passo a passo para criar meta e funil e as armadilhas que fazem a gente tirar conclusão errada.

Primeiro: o que é conversão no seu site

Conversão é a ação que, para o seu negócio, significa que a visita deu certo. Não existe uma conversão universal; existe a sua. Alguns exemplos:

Tipo de siteConversão principalComo medir
SaaSCadastro ou início do trialevento signup
Loja virtualCompra concluídaevento purchase ou página /obrigado
Serviço localPedido de orçamento ou clique no WhatsAppevento form_submit ou whatsapp_click
InfoprodutoInscrição na lista ou comprapágina /inscricao-confirmada
Blog / conteúdoInscrição na newsletterevento newsletter_signup

Duas recomendações práticas:

  • Uma conversão principal, poucas secundárias. A principal é a que paga as contas. As secundárias (micro-conversões, como clicar em "ver preços") ajudam a entender o caminho, mas não devem competir com a principal no relatório.
  • Meça o que de fato aconteceu. "Clicou no botão Comprar" não é compra. Se der, dispare o evento depois que o servidor confirmou o cadastro ou o pagamento.

A taxa de conversão é a proporção de sessões que converteram. No Analisa, é sessões com pelo menos uma conversão dividido pelo total de sessões do período. Se 1.000 sessões geraram 30 sessões com cadastro, a taxa é 3%.

Canal, origem e atribuição em cinco minutos

Canal é o caminho por onde a visita chegou: um site que mandou o link (o referrer), uma campanha marcada com UTM ou nada disso — o famoso "direto".

O problema começa quando a pessoa visita mais de uma vez antes de converter. Imagine esta jornada:

  1. Dia 1: chega por uma busca no Google, lê um artigo e sai.
  2. Dia 4: vê um post no Instagram, clica, olha a página de preços e sai.
  3. Dia 6: digita o endereço do site e se cadastra.

Quem leva o crédito pelo cadastro? Depende do modelo de atribuição:

ModeloQuem leva o créditoO que ele valoriza
Primeiro toqueGoogle (dia 1)Canais que descobrem gente nova
Último toqueDireto (dia 6)O que aconteceu imediatamente antes
Último clique não diretoInstagram (dia 4)O último canal "de verdade" antes da conversão
Multitoque / baseado em dadosDividido entre os trêsTenta pesar a contribuição de cada um

Nenhum é "o certo". Cada um responde a uma pergunta diferente. Para referência: o GA4 hoje oferece três modelos — o baseado em dados (padrão), o último clique pago e orgânico (que ignora o direto, como a terceira linha da tabela) e o último clique dos canais pagos do Google. Os modelos de primeiro clique, linear e afins foram aposentados pelo Google em 2023.

Como o Analisa liga a conversão ao canal

Vou ser bem específico, porque é isso que define como você lê os números.

  • A unidade é a sessão. O SDK cria um ID de sessão guardado no sessionStorage do navegador: ele vale enquanto a aba estiver aberta e some quando ela fecha. Uma nova aba ou uma nova visita é uma nova sessão.
  • O canal da sessão é a origem da primeira página vista. O Analisa olha o referrer da primeira page view da sessão no período e fica com o domínio (www.google.com, l.instagram.com, news.ycombinator.com). Sem referrer, a sessão é "direta" (aparece como direct). Os navegadores, por padrão, só mandam o domínio de origem quando a navegação vem de outro site — por isso o canal é um domínio, não a URL completa.
  • A conversão conta para o canal da sessão em que aconteceu. Se a sessão que começou pelo Google teve um cadastro, o cadastro é do Google.

Na prática é um último toque por sessão: o crédito vai para o canal que abriu a sessão em que a pessoa converteu. O relatório não junta sessões diferentes da mesma pessoa para montar a jornada. Na jornada do exemplo acima, o cadastro do dia 6 ficaria com "direto".

O que isso significa para você:

  • Funciona muito bem quando a conversão costuma acontecer na mesma visita: landing page → cadastro, anúncio → compra por impulso, post → inscrição.
  • Para ciclos longos (B2B, ticket alto), olhe a taxa por canal como um sinal de qualidade da visita, não como a verdade absoluta sobre quem gerou o cliente.
  • A UTM aparece no relatório de UTM; o bloco de conversões usa o referrer. Uma visita do WhatsApp com UTM chega sem referrer e entra como "direto" na conversão. Eu explico como contornar isso no guia de UTM, com uma página de destino por campanha e um funil.

Passo a passo no Analisa

1. Instale o SDK e confirme que os eventos chegam

Se ainda não instalou, o guia de primeiros passos leva uns minutos. Confira se as page views aparecem no painel antes de seguir.

2. Dispare o evento de conversão

Se a conversão tem uma página própria (como /obrigado), você pode pular este passo e usar a página como meta. Se não tem, dispare um evento quando a ação der certo:

Depois que o cadastro foi confirmadojs
// evento "signup" (com o método como propriedade)
window.analytics.signup('email')

// ou, para qualquer nome de evento:
window.analytics.track('whatsapp_click', { botao: 'flutuante' })

Para loja virtual, existe um atalho para compra:

Na confirmação do pedidojs
// evento "purchase": id do pedido, valor e moeda
window.analytics.purchase(pedido.id, 197.0, 'BRL')

3. Crie a meta

No painel, vá em Conversão › Metas › Nova meta e preencha:

  1. Nome: como você quer ler no relatório (Cadastro, Compra).
  2. Tipo: evento (o nome exato do evento, como signup) ou página (path) (o caminho exato, como /obrigado).
  3. Valor (opcional): quanto vale cada conversão, em centavos. Um plano de R$ 49 vira 4900. O relatório multiplica pelo número de conversões.

Dois detalhes que pegam muita gente: o caminho é comparado exatamente (/obrigado e /obrigado/ são diferentes) e não inclui a query string (/obrigado?pedido=123 conta como /obrigado). E o nome do evento também é exato: Signup não é signup.

A tela de Metas mostra, para o período selecionado, as conversões, as sessões únicas que converteram, a taxa de conversão e o valor total.

4. Veja a conversão por canal

No Dashboard, o bloco Conversões mostra as sessões, quantas converteram e a taxa do período. Logo abaixo, Canais que convertem lista cada canal com uma linha assim: 12 conv. · 340 sessões · 3,5%. É essa a resposta para "de onde vêm meus clientes".

5. Monte um funil para ver onde as pessoas desistem

A meta diz quanto converte; o funil mostra onde as pessoas ficam pelo caminho. Em Conversão › Funis › Novo funil:

  1. Dê um nome (Home → Preços → Cadastro).
  2. Adicione as etapas, cada uma como página (path) ou evento. São pelo menos duas.
  3. Exemplo: etapa 1 = página /, etapa 2 = página /precos, etapa 3 = evento signup.

O Analisa conta, para cada sessão, se ela passou pelas etapas nessa ordem, e mostra quantas sessões completaram, a taxa geral e o percentual que saiu em cada etapa. Uma queda grande entre /precos e signup aponta para a página de preços ou para o formulário, não para o canal.

Como interpretar os números

Um exemplo ilustrativo (números inventados, só para mostrar a leitura):

CanalSessõesSessões que converteramTaxa
www.google.com1.200363,0%
l.instagram.com2.500251,0%
www.linkedin.com300217,0%
direct900273,0%

O que eu tiraria disso:

  • Taxa e volume contam histórias diferentes. O Instagram traz mais gente e converte pior. O Google traz menos e converte o triplo. Cortar o Instagram ainda tiraria 25 clientes do mês — a pergunta é quanto custa cada um.
  • O canal pequeno com taxa alta merece mais tráfego. Um LinkedIn com 7% é um sinal claro para postar mais lá (e para testar anúncio).
  • "Direto" (direct no relatório) é uma mistura. Tem quem digitou o endereço, mas também WhatsApp, apps, QR code e e-mail de alguns clientes. Quanto maior o direto, mais vale marcar seus links com UTM.
  • Se as metas têm valor, compare valor por sessão, não só a taxa. Um canal com taxa menor pode trazer clientes de ticket maior.

Armadilhas que fazem você tirar a conclusão errada

Amostra pequena

Três cadastros em 40 sessões dão 7,5%, mas com tão pouca gente a faixa de confiança de 95% vai de uns 2,6% a quase 20%. Uma semana boa ou ruim muda tudo. Antes de tomar decisão, jogue os números na calculadora de taxa de conversão, que mostra a faixa de confiança. Se for testar uma mudança, a calculadora de tamanho de amostra para teste A/B diz quantas visitas cada versão precisa — e quantos dias isso leva com o seu tráfego.

Períodos que não se comparam

Comparar uma semana com feriado com uma sem, ou o mês da campanha com o anterior, mistura sazonalidade com efeito do canal. Compare semanas completas e, quando der, o mesmo período do ano anterior.

Meta que conta coisa demais

Página de obrigado que dá para acessar sem comprar, evento disparado no clique e não na confirmação, recarregar a página e contar de novo. A tela de Metas separa conversões (todos os eventos) de sessões únicas que converteram — se os dois números estão muito distantes, investigue.

Conversão que acontece fora do site

Se a venda fecha no WhatsApp ou por telefone, o site só vê o clique. Meça o clique como micro-conversão (whatsapp_click) e, se possível, cruze com o que o time comercial registra.

Mudar tudo ao mesmo tempo

Trocou o anúncio, a página e o preço na mesma semana e a conversão subiu? Ótimo, mas você não sabe por quê. Uma mudança de cada vez, ou um teste A/B de verdade.

Checklist

  1. Defina uma conversão principal e meça a confirmação, não o clique.
  2. Crie a meta (evento ou página) com valor, se fizer sentido.
  3. Leia Canais que convertem no Dashboard comparando taxa e volume.
  4. Monte um funil com as etapas até a conversão para achar onde as pessoas desistem.
  5. Marque com UTM todo link que você controla, principalmente WhatsApp, e-mail e QR code.
  6. Antes de concluir, confira se a amostra aguenta a conclusão.

Fontes

  1. Get started with attribution — Google Analytics Help
  2. Google is removing 4 attribution models for advertisers — Search Engine Journal
  3. Referrer-Policy — MDN Web Docs

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Rafael Coelho

Dev fullstack e criador do Analisa. Escreve sobre programação, produto e dados — e mede tudo com o próprio Analisa.

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